quinta-feira, novembro 02, 2006

EPPC 6



          DESPERTAR

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Educação
Pedagogia a distância: Anos iniciais do Ensino Fundamental (PEAD)
Aluno: Paulo Assis Costa Medeiros
Pólo: Gravataí
Interdisciplina: ESCOLA, PROJETO PEDAGÓGICO E CURRÍCULO
Professora: Rosane Aragon de Nevado
Unidade: 3
Atividade: 6
Data: 13 de outubro de 2006


A professora Lucia Helena Carrasco em seu texto “despertar”, propõe uma reflexão sobre movimento. Não um movimento ordinário, qualquer, um simples deslocamento de corpos materiais. Atenta ao cotidiano das escolas a nossa volta e a esta necessidade de movimento, instiga o leitor-educador a sair de seu estado de imobilidade. Um abandono, um desgarrar-se da postura viciada na segurança e na previsibilidade.

Com sensibilidade suficiente para não apontar culpados desse estado de imutabilidade, busca no próprio cotidiano daqueles que compõem este universo chamado escola as razões para que se promova uma ruptura urgente não em apenas um, mas em todos os segmentos das instituições de ensino. Fugindo do equívoco fácil de apontar na prática do professor a razão para desencanto e pelas reprovações de alunos, não nos exime de certa parcela de responsabilidade, mas resgata a necessidade de um olhar mais profundo com relação às causas da expectativa frustrada ao final de um ano letivo: a ausência de um entendimento de suas raízes, estas de cunho social, político, familiar e pedagógico e seus efeitos imediatos. É o todo que não se conhece ou fica invisível aos olhos vendados daqueles que não se permitem sondar o que possa existir além de suas próprias certezas.

Em tese, todo educador estuda, lê e ouve que precisa partir da realidade do aluno ao planejar suas aulas. Mas que realidade é esta que não é conhecida e que só mostra sua cara nos atos de violência cometidos dentro da própria instituição, emprestando, principalmente ao adolescente, uma aura de negligência consigo mesmo e desrespeito a toda regra, mesmo se constituída pelo grupo como um todo?

Aparentemente, todo aluno sabe que à escola cabe o papel de ser ponte entre sua condição presente e suas aspirações quanto ao futuro. Entretanto, fruto de uma cultura ocidental imediatista, não espera a maturação necessária de seus projetos, ficando ele também cego às necessidades próprias de seus mais caros desejos de médio e longo prazo. A urgência de um despertar está estampada em cada parede pichada, em seus cadernos incompletos, nas tarefas jamais concluídas ou sequer iniciadas. Igualmente se encontra na merenda jogada ao chão, nas lixeiras vazias e nos espaços de convivência imundos. Entretanto, parece-me que a mais gritante prova de uma necessidade de mudança de paradigmas na sociedade e, portanto, nas escolas, é o fato de que nossos alunos não têm mais um exemplo em quem se espelhar. Cresceram em um cotidiano no qual aprenderam com as apresentadoras de programas infantis que um corpo bem trabalhado basta, mas esqueceram-se que nem todos seremos modelos de revistas de moda ou personagens de reality shows, e que tais experiências de vida são por demais efêmeras. E não se trata de ter alguém para imitar, pois incorreriam no erro de subestimar o valor de sua singularidade. Trata-se de uma lacuna quase completa de valores que se mostrem perenes e significativos na construção de uma vida plena, feliz e repleta de sabedoria.

Por sua vez, ao educador que se depara com seus alunos canalizando uma imensa energia para toda e qualquer atividade que não seja a proposta por ele, restam inúmeras alternativas, mas infelizmente talvez seja a de indiferença, fruto da insegurança para intervenções nunca experimentadas, aquela da qual mais comumente lance mão. As respostas para tais questões, os caminhos a seguir e as ações necessárias por certo não se encontram impressos em livros nem serão ouvidos em seminários de formação continuada.

Um bom início seria diminuir a ansiedade do professor em estar sempre de posse do conhecimento e das etapas da sua construção. Inteirar-se de outras ferramentas, atrativas aos seus alunos, fazendo uso delas para uma aproximação entre as partes, promovendo assim o movimento tão necessário para que ocorra essa ruptura necessária em que o torpor de um cotidiano enfadonho e repetitivo a todos coloca. Aluno e professor precisam percorrer caminhos paralelos e que, com freqüência, se tornem um só, ou todos correremos o risco de termos nas nossas escolas um exército de espíritos adormecidos, aguardando um futuro que parece tão distante, torcendo que ele seja mais instigante e atrativo que o presente.

Nenhum comentário: